ação e reação

homem_mundoNão se iluda, eu quase nada sei de física. Ação e reação foi apenas um título que considerei interessante para outro propósito – e ele está longe de explicar uma velha conhecida dupla da área das exatas.

Quando escrevo ação, pensei no movimento que se iniciou a uma semana atrás, o Fora Sarney. Dia 15 de agosto milhares de pessoas distribuídas por todo país saíram às ruas, de forma mais ou menos concentrada dependendo da capital onde se encontravam, para protestar contra a postura e as ações vexaminosas de políticos que compõem o Senado brasileiro. Eu fiz parte desse grupo, em Belo Horizonte. E mais interessante ainda que sair à rua e gritar frases que demonstram indignação, foi ouvir alguns comentários pré e pós ato.

Ao tentar convocar amigos e conhecidos para tal evento, ouvi desde “isso não adianta nada” até “cuidado, você pode sofrer represália”. Como típica pessoa reativa – referindo-se à postura de responder à praticamente tudo que me chega, concordando ou não -, tive algumas conversas e pude refletir mais sobre críticas e apoios.

Dentre uma profusão de comentários, alguns vieram em forma de alerta. Um deles atentava para o perigo de as pessoas se tornarem uma massa de manobra política, que participa de atos mas, lá no fundo, ignora a intenção desestabilizadora de partidos que se colocam por trás das iniciativas. Ora, desde que me entendo por gente com um mínimo de formação política – afinal também não me considero assim um papa no assunto -, sei bem da guerra partidária e de interesses nesse país e em qualquer canto do mundo. Sei também que em um movimento, como em diversas formas de agrupamento social que acredita seguir um propósito, há uma infinidade de intenções e formas de expressar uma opinião. Considero quase todas legítimas, excluindo certamente as que se apoiam na violência.

A variedade de perfis de integrantes de um movimento – apartidários, fervorosos, eloquentes, maria-vai-com-as-outras – caracteriza a pluralidade social e intelectual do país. Pulando o que poderíamos discutir em muitas linhas sobre multiculturalidade e educação, quero chegar ao seguinte ponto: acredito que vale a pena fazer movimentos que expressem nossas opiniões, especialmente quando o objeto desses se trata da política ou da forma como está sendo conduzido o país

Seja a opinião manipulada (qual não é?), pareça ela legítima ou fortemente embasada bons argumentos. Ela vale e deve ser mostrada, exercida, intercambiada. Embora concorde com inúmeras pessoas que criticam a inércia de gerações, a cultura do medo, do conformismo ou da ignorância que domina muitos dos cidadãos (nem sei se assim poderia chamá-los), acredito que sempre é tempo de retomar ou de começar. Positivismo? Talvez. Certamente um quê de experança e muitas leituras para chegar a esse pensamento.

Nunca tive uma vida de ativista, participei pouco de movimentos de rua (“Diretas Já” eu vi como um bebê de colo e “Fora Collor” me contagiou enquanto ainda na infância). Mas acredito em diversas formas de lutar, começando com migalhas até gerar correntes extensas e poderosas, por direitos e deveres, nossos e daqueles a quem entregamos parte do poder no país. Porque a outra parte ainda está em nossas mãos. Precisamos descobrir ou redescobrir cada dia mais como usá-la – talvez seja esse o caminho.

Citando um grande sociólogo e autor de uma das mais importantes leituras de minha ida, Zygmunt Balman: “Uma política inspirada pela sabedoria pós-moderna só pode ser orientada para a reafirmação do direito de os indivíduos livres se assegurarem e perpetuarem as condições da sua liberdade“. E apesar dos inúmeros momentos de decepção, acredito – eu e Bauman! – que a solução para o mal estar da pós modernidade (leia-se das crises existenciais, das guerras transcontinentais, da destruição do meio ambiente, etc.) está no homem.

*Fora Sarney continua: www.forasarney.com.br
http://twitter.com/forasarneybh

**Convido para os corajosos a participarem do luto pelo Brasil, dia 7 de setembro: http://twitter.com/lutobrasil

2 comentários

Filed under Education, Media, Politics

2 responses to “ação e reação

  1. É exatamente isso, Rúbia! A solução só pode estar em quem criou o problema. Ou seja, o próprio homem. Para isso, temos que exercitar cada vez mais nossa liberdade, nossa democracia. Uma democracia, muitas vezes, travestida, fingindo que é, mas não é. Tentemos ser, no entanto, positivos, e acreditemos que estamos livres e numa democracia de fato e de direito. Vamos expor as mazelas e procurar adesões. Um dia, quem sabe…

    Só hoje percebi que você tinha um blog, seguindo o link que você deixou no Twitter. Vou deixar nos favoritos, pra voltar mais vezes. Também deixo o convite para uma visita à minha redação, no ar há quase dois anos e meio!
    E um bjooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!

  2. O Sarnex é tão cara de pau que as pessoas depositam dinheiro na conta dele e ele nem se preocupa em saber de onde veio (se é que ele sabe muito bem de onde veio e prefere dar uma de João sem braço). Infelizmente não sei se ainda há tempo dele ter o que merece por causa da idade, mas este é um lado do Brasil que pode mudar para melhor nas próximas gerações. Um abraço!

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